A posição de parte dos senadores que integram a base política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mudou nas últimas semanas. Parlamentares que anteriormente se posicionavam contra pedidos de impeachment passaram a apoiar a abertura de um processo de afastamento ou adotaram uma postura de maior cautela sobre o caso.
Entre os nomes citados estão Chico Rodrigues (PSB-RR), Leila Barros (PDT-DF) e Flávio Arns (PSB-PR). Segundo levantamentos publicados nos últimos dias, os três passaram a apoiar o pedido de impeachment apresentado contra Moraes no Senado.
A mudança ocorre em meio à divulgação de mensagens atribuídas a Moraes e ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, além de informações sobre um contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. As circunstâncias envolvendo esses fatos passaram a integrar o debate político sobre a permanência do magistrado no STF.
O pedido de impeachment foi protocolado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e, segundo informações divulgadas em setembro, reuniu inicialmente 20 assinaturas de parlamentares de diferentes partidos, incluindo integrantes da base do governo e da oposição. Entre os signatários estava Leila Barros.
A mudança não significa, porém, que exista uma decisão pelo afastamento de Moraes. O eventual impeachment de um ministro do Supremo depende da tramitação no Senado e de uma série de etapas previstas na legislação. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, já afirmou que recebe pressão relacionada aos pedidos de impeachment de ministros do STF, mas tem demonstrado resistência ao avanço de processos dessa natureza.
Outros governistas adotam cautela
Enquanto alguns senadores passaram a apoiar o impeachment, outros parlamentares que anteriormente haviam se manifestado em defesa de Moraes preferiram não assumir publicamente uma nova posição.
Entre os nomes citados estão Beto Faro (PT-PA), Fabiano Contarato (PT-ES), Teresa Leitão (PT-PE) e Marcelo Castro (MDB-PI). A mudança de postura ocorre em um ambiente de forte pressão política sobre o Supremo e a poucos dias do início da fase decisiva das eleições de 2026.
O episódio também ampliou a tensão entre diferentes grupos políticos no Senado. A oposição vem defendendo a abertura de processos contra ministros do STF, enquanto integrantes do governo Lula têm buscado evitar que a crise envolvendo Moraes se transforme em um confronto institucional mais amplo.
Reportagem da Folha de S.Paulo apontou que, apesar do aumento da pressão sobre Moraes, a cúpula do Senado mantém resistência ao avanço do impeachment. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, tem relação política próxima com o ministro e afirmou anteriormente que considera anormal a quantidade de pedidos de impeachment apresentados contra integrantes do Supremo.
Crise envolvendo Banco Master
As novas informações fazem parte da crise política e jurídica que envolve o Banco Master e seu antigo controlador, Daniel Vorcaro. A divulgação de mensagens envolvendo autoridades e pessoas ligadas ao caso provocou novos questionamentos no Congresso e aumentou a pressão para que as circunstâncias sejam investigadas.
A Folha de S.Paulo informou que Moraes teria sido consultado por Vorcaro sobre a possibilidade de deixar o país antes de sua prisão. A reportagem também citou o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes. As alegações e os elementos do caso estão no centro de disputas políticas e jurídicas e não equivalem, por si só, a uma conclusão de responsabilidade criminal.
Com a aproximação das eleições, o caso ganhou ainda mais peso no debate político nacional. A permanência de Moraes no STF e a possibilidade de um processo de impeachment passaram a ser discutidas não apenas pela oposição, mas também por parlamentares de partidos que integram a base do governo.


















