A distribuidora Europa Filmes decidiu não fixar uma data de estreia para o filme Dark Horse até uma conclusão por parte das investigações envolvendo o financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
– Não dá para saber o desenrolar de tudo isso, mas não seria responsável fazer o lançamento deste filme com todos estes acontecimentos. Acho que deverá ser lançado quando não tiver mais possível bloqueio na exibição. Temos primeiro que aguardar o desenrolar de tudo isso. Estamos aguardando, é o prudente – declarou.
Dark Horse é alvo de duas investigações de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), um deles relatado por Mendonça, outro por Flávio Dino.
A investigação sob os cuidados de Mendonça apura o investimento de milhões de reais por parte de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na obra cinematográfica. Já o inquérito sob relatoria de Dino apura suspeitas de repasse de emendas parlamentares à produtora do filme.
Filme entrou no radar das investigações
As investigações sobre “Dark Horse” ocorrem em diferentes frentes. Uma delas apura suspeitas relacionadas a recursos públicos e emendas parlamentares que teriam sido destinados a entidades ligadas à produtora do filme.
Outra investigação, conduzida no Supremo Tribunal Federal, examina o financiamento da produção e possíveis repasses feitos pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A apuração também envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a produção teria recebido valores milionários de Vorcaro. A PF também investiga se parte dos recursos destinados ao filme teria sido utilizada para outras finalidades.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a operação realizada em setembro, que apontou possíveis conexões entre empresas, entidades e recursos públicos que teriam chegado à produtora responsável pelo longa.
Mário Frias também é investigado
O deputado Mário Frias, que participou da produção do filme, está entre os investigados. A Polícia Federal apura a destinação de recursos de emendas parlamentares direcionadas ao Instituto Conhecer Brasil, entidade relacionada à produtora.
Reportagem publicada neste sábado (12) apontou ainda que a Go Up Entertainment teria pago aproximadamente R$ 136,8 mil em faturas de cartão de crédito e outros R$ 11,2 mil em hospedagens para Frias durante o período de produção. O parlamentar nega irregularidades e afirmou que as investigações seriam uma tentativa de criar uma “cortina de fumaça” antes das eleições.
Filme já havia recebido registro da Ancine
Apesar das controvérsias, “Dark Horse” avançou no processo burocrático para chegar ao mercado brasileiro. Em agosto, a Ancine concedeu o Registro de Obra Estrangeira ao filme, uma das etapas necessárias para sua exibição no país.
O pedido havia sido apresentado inicialmente pela Unifilmes e posteriormente a Europa Filmes passou a constar como responsável pela distribuição. No Brasil, a produção deverá ser lançada com o título “O Azarão”. Ainda são necessários outros procedimentos, como o registro do título e a classificação indicativa.
Por enquanto, entretanto, não há previsão de quando o público poderá assistir ao filme nos cinemas brasileiros.
Estreia dependerá do cenário jurídico
A Europa Filmes não anunciou oficialmente o cancelamento do longa. A estratégia adotada é manter a produção sem data de estreia até que as investigações avancem e seja possível avaliar se existem riscos jurídicos ou operacionais para a distribuição.


















