STF vive escalada de crise e pode afastar Moraes e Gonet, segundo análise atribuída à Folha

Conflito envolvendo ministros, Banco Master e atuação da PGR aumenta pressão sobre o Supremo; sessão extraordinária está marcada para 15 de setembro

O texto, que faz parte do editorial O que a Folha pensa, destaca a atuação de parte do colegiado em prol dos próprios interesses.

A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos capítulos nos últimos dias e elevou a pressão sobre ministros da Corte e sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em meio à disputa envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça e as investigações relacionadas ao Banco Master, uma análise publicada pela imprensa aponta para a possibilidade de afastamento de Moraes e Gonet caso o conflito institucional chegue ao que foi descrito como o “ápice da baderna”.

É importante destacar, porém, que não há, até o momento, uma decisão do STF determinando o afastamento de Alexandre de Moraes ou Paulo Gonet. A expressão sobre um possível afastamento aparece no contexto de análises e avaliações sobre os desdobramentos da crise, e não como anúncio de uma decisão já tomada pela Corte.

Crise começou a se aprofundar com o caso Banco Master

O centro da disputa está relacionado ao caso envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens recuperadas pela Polícia Federal e posteriormente tornadas públicas passaram a envolver nomes de integrantes do STF e da Procuradoria-Geral da República.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, as conversas de Vorcaro mencionam Alexandre de Moraes e Paulo Gonet. O episódio provocou uma reação dentro do Supremo e abriu uma disputa entre Moraes e André Mendonça, que passou a analisar informações relacionadas ao caso.

Mendonça chegou a determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação. A decisão provocou uma nova disputa dentro do STF, envolvendo também o ministro Flávio Dino.

Fachin intervém e retira Moraes de inquérito

Diante da escalada do conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, tomou uma série de medidas para tentar reorganizar os processos e evitar que a disputa entre ministros avançasse ainda mais.

Em 9 de setembro, Fachin revogou a designação de Moraes para conduzir o chamado inquérito das fake news, que estava sob responsabilidade do ministro havia mais de sete anos. A decisão preservou os atos processuais praticados durante o período em que Moraes esteve à frente da investigação.

Fachin também suspendeu decisões conflitantes de Mendonça e Dino envolvendo o comando da Polícia Federal e marcou uma sessão extraordinária do plenário para 15 de setembro de 2026, quando os ministros deverão analisar um dos processos relacionados à crise.

Gonet também entrou no centro da discussão

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também passou a ser citado nos desdobramentos do caso. Mensagens recuperadas pela PF mencionam o nome do procurador, enquanto outros elementos levantados nas investigações passaram a ser analisados para verificar eventual relação com Vorcaro.

Fachin chegou a pressionar Gonet para que não participasse da sessão que tratará do caso envolvendo Moraes. A alternativa discutida seria a participação do vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand.

Gonet, entretanto, afirmou que pretende participar da sessão. O Conselho Superior do Ministério Público Federal também abriu procedimento para analisar as referências feitas a ele no material relacionado ao caso.

O que pode acontecer agora

A possibilidade de afastamento de Moraes e Gonet passou a ser discutida justamente porque ambos aparecem, de maneiras diferentes, no conjunto de acontecimentos que está sendo analisado. A lógica defendida por críticos é que a permanência de autoridades diretamente citadas nos episódios poderia comprometer a percepção de imparcialidade das apurações.

A crise também já ultrapassou o ambiente interno do Judiciário. Entidades da Ordem dos Advogados do Brasil passaram a se manifestar sobre o caso. A OAB do Paraná, por exemplo, pediu o afastamento de Moraes e a declaração de suspeição de Gonet, argumentando que a permanência dos dois poderia comprometer a credibilidade das investigações.

Uma pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12) também mostrou o impacto da crise na opinião pública. Segundo o levantamento, 34% dos entrevistados defendem o afastamento temporário de Alexandre de Moraes, enquanto 28% apoiam seu impeachment. Em relação a André Mendonça, 37% disseram apoiar um afastamento temporário e 12% defenderam o impeachment.

Apesar da pressão, o cenário ainda está em aberto. O STF deverá analisar os processos relacionados ao caso e os ministros envolvidos terão de apresentar esclarecimentos sobre os fatos. A sessão extraordinária de 15 de setembro pode representar um dos momentos mais importantes da atual crise institucional da Corte.

Até agora, portanto, não existe confirmação de que Moraes ou Gonet serão afastados. O que existe é uma crescente pressão política e institucional para que os dois sejam retirados de determinadas discussões ou investigações, enquanto o STF tenta administrar uma das crises internas mais graves de sua história recente.

Compartilhamento