Cristiano Zanin pediu providências e responsabilização dos envolvidos após dados fiscais e bancários dele e da esposa aparecerem em documentos apresentados pela defesa do ex-procurador
O ex-procurador da Lava Jato e candidato ao Senado pelo Paraná, Deltan Dallagnol (Novo), provocou uma nova controvérsia na Justiça Eleitoral após documentos contendo informações fiscais e bancárias sigilosas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, serem anexados ao processo de registro de sua candidatura.
Os documentos foram incluídos pela defesa de Dallagnol como parte de procedimentos utilizados para contestar pedidos de impugnação de sua candidatura. O material também continha informações relacionadas à esposa de Zanin, Valeska Zanin.
Zanin pede responsabilização
Ao tomar conhecimento da exposição dos dados, Cristiano Zanin encaminhou um ofício ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) solicitando providências para retirar o conteúdo de circulação e apurar a responsabilidade dos envolvidos.
O ministro também pediu que fossem adotadas medidas inclusive na esfera criminal. O documento foi encaminhado às presidências do STF, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do próprio TRE-PR.
O TRE-PR determinou que os documentos passassem a tramitar sob sigilo e deu prazo de 24 horas para Dallagnol apresentar explicações. O caso também foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral.
Defesa afirma que não houve intenção de expor Zanin
A defesa de Dallagnol afirmou que os documentos faziam parte de uma reclamação disciplinar apresentada anteriormente por Zanin contra o ex-procurador e outros integrantes da Lava Jato.
Segundo os advogados, o processo tinha milhares de páginas e os documentos foram apresentados integralmente para evitar que informações relevantes fossem omitidas durante a análise da candidatura.
A defesa negou que tivesse intenção de tornar públicos os dados fiscais e bancários do ministro.
Dados foram obtidos durante a Lava Jato
As informações foram produzidas a partir de uma quebra de sigilo determinada em 2019, quando Zanin ainda atuava como advogado. A medida foi posteriormente anulada, assim como os documentos obtidos a partir dela.
Mesmo assim, parte desse material acabou sendo incluída no conjunto de documentos utilizado pela defesa de Dallagnol no processo eleitoral de 2026.
TRE aplica multa de R$ 100 mil
O episódio teve um novo desdobramento no dia 8 de setembro. Ao julgar o registro da candidatura de Dallagnol, o TRE-PR aprovou sua candidatura ao Senado por 4 votos a 3, mas também aplicou uma multa de R$ 100 mil ao ex-procurador pela inclusão dos documentos sigilosos.
O presidente do tribunal, Luciano Carrasco Falavinha Souza, classificou a conduta como grave e determinou a punição por litigância de má-fé. Segundo ele, o caráter sigiloso das informações era evidente e os dados de Zanin eram desnecessários para a análise do registro eleitoral.
Apesar da multa, Dallagnol permanece com o registro de candidatura deferido pelo TRE-PR. A decisão, no entanto, ainda pode ser questionada no Tribunal Superior Eleitoral.


















