A política goiana vive um movimento que pode redesenhar o tabuleiro eleitoral de 2026. A empresária e advogada Ana Paula Rezende deixou o MDB e oficializou filiação ao PL, assumindo a pré-candidatura a vice-governadora na chapa do senador Wilder Morais.
O gesto vai além de uma simples troca partidária. Filha dos ex-governadores Iris Rezende e Iris de Araújo Machado, Ana Paula carrega um dos sobrenomes mais emblemáticos da política estadual. Ao migrar para o PL, ela desloca simbolicamente parte desse legado para o campo conservador — um movimento que não passa despercebido nos bastidores.
O ato de filiação, realizado em Goiânia com a presença do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, teve forte carga política. Não foi apenas uma assinatura de ficha: foi um recado. O PL demonstra capacidade de atrair quadros históricos e consolidar um projeto competitivo ao Palácio das Esmeraldas.
O recado ao MDB
Nos bastidores, a insatisfação de Ana Paula com a falta de espaço para disputar o Senado dentro do grupo governista já era comentada. A saída escancara fissuras internas e evidencia que o MDB já não exerce a mesma hegemonia de outros tempos.
Do outro lado do tabuleiro está Daniel Vilela, filho do ex-governador Maguito Vilela, que lidera o projeto emedebista. O que antes era aliança histórica no antigo PMDB agora se transforma em confronto direto entre herdeiros políticos.
Tradição versus novo eixo de poder
A movimentação evidencia algo maior: o avanço de uma direita mais organizada em Goiás. Wilder Morais, ao escolher Ana Paula como vice, une discurso conservador, estrutura partidária e capital simbólico de uma família tradicional.
A disputa deixa de ser apenas administrativa e passa a ter contornos ideológicos claros. O PL aposta na consolidação de um bloco conservador forte, enquanto o MDB tenta preservar sua influência histórica.
O embate está posto — e, desta vez, não será apenas sobre sobrenomes, mas sobre o rumo político que Goiás pretende seguir.


















