Informações da Operação Contragolpe, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e deflagrada nesta terça-feira, 19, afirmam que as investigações apontam que os militares envolvidos demonstravam impaciência e frustração com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e as Forças Armadas.
Matéria do colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim, publicada na manhã do dia 19, detalha que o grupo expressava preocupação com uma recusa de Bolsonaro de aplicar supostos planos antidemocráticos.
Foi divulgado que em dezembro de 2022, o general da reserva Mario Fernandes teria enviado um áudio ao então ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, general Luiz Eduardo Ramos, pedindo que ele protegesse Bolsonaro de conselhos contrários à assinatura do suposto decreto golpista. “Blinde o presidente contra qualquer desestímulo, qualquer assessoramento diferente”, teria dito
Fernandes.
A matéria menciona que, já frustrado diante da postura de espera adotada pelas Forças Armadas, Fernandes enviou uma mensagem ao coronel Reginaldo Vieira de Abreu, externando sua ansiedade: “Cara, p****, o presidente tem que decidir e assinar esta m****, p****.”
O coronel Reginaldo, por sua vez, teria sinalizado insatisfação com a insistência de Bolsonaro em mencionar os limites constitucionais. “O senhor me desculpe a expressão, mas quatro linhas é o c******. Quatro linhas da Constituição é o c*****”, escreveu ele, em novembro, referindo-se à famosa declaração do ex-presidente sobre sempre agir “dentro das quatro linhas da Constituição”.
A operação Contragolpe investiga um suposto esquema que teria planejado o homicídio de autoridades eleitas, incluindo Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, além de ataques ao STF e ao Congresso Nacional. Os envolvidos, em sua maioria militares, são acusados de elaborar um plano chamado ‘Punhal Verde e Amarelo’.
De dentro do Palácio
Um relatório da Polícia Federal (PF) revelou que o “planejamento operacional” do plano foi impresso no Palácio do Planalto pelo general da reserva Mario Fernandes, no dia 9 de novembro de 2022, e depois levado ao Palácio da Alvorada.
O documento aponta ainda que uma segunda impressão do mesmo arquivo foi feita em 6 de dezembro de 2022, novamente sob a responsabilidade do general da reserva, no Planalto. A PF afirma que nos dois momentos, o então presidente Bolsonaro se encontrava no local. Além de Bolsonaro, estavam presentes na região do Palácio do Planalto o ex-ajudante de ordens, tenente-coronel Mauro Cid, e o major do Exército Rafael de Oliveira, preso na última terça-feira, 19.
O material estaria possivelmente relacionado ao planejamento de ações clandestinas, que incluíam a prisão ou execução do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e os assassinatos de Lula e do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin.
Com informações da Conexão Política e Gazeta Brasil
Foto: Reuters
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