Reprovação supera aprovação: Lula registra 40% negativo, diz Datafolha

Por uma narrativa de reconstrução institucional, o governo enfrenta agora os efeitos práticos de suas escolhas políticas e econômicas. Críticas mais duras também começam a ganhar espaço no debate público. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, por exemplo, elevou o tom recentemente ao afirmar que “Lula virou embaixador de facções”, evidenciando o ambiente de crescente polarização.A mais recente pesquisa do Datafolha confirma um cenário que já vinha se desenhando: o desgaste do governo do presidente Lula (PT) persiste e começa a se aprofundar. Embora a avaliação negativa tenha se mantido em 40%, o dado mais significativo está na queda da avaliação positiva, que recuou de 32% para 29%. Já os que consideram a gestão regular subiram de 26% para 29%, indicando um eleitorado cada vez mais hesitante e menos convencido.

Realizado entre os dias 7 e 9, o levantamento, com margem de erro de dois pontos percentuais, também aponta outro sinal preocupante para o Planalto: a reprovação ao presidente chegou a 51%, enquanto a aprovação caiu para 45%. Ainda que dentro da margem, os números reforçam uma tendência de deterioração da imagem do governo.

O movimento não ocorre por acaso. Após um início de mandato sustentado por promessas e

Além disso, a mudança de tendência já havia sido percebida desde dezembro, quando se encerrou um período de maior estabilidade para o governo. Naquele momento, fatores como o discurso nacionalista e movimentos pontuais na política externa ajudaram a conter desgastes. No entanto, esses efeitos parecem ter sido passageiros.

Os dados atuais indicam um governo que perde fôlego junto à opinião pública, especialmente em um contexto de desafios econômicos e aumento da cobrança por resultados concretos. A oscilação negativa na avaliação sugere que parte do eleitorado começa a rever expectativas, diante de um cenário que ainda está longe de entregar a estabilidade prometida.

Com a proximidade de novos ciclos eleitorais, o Planalto terá de lidar não apenas com adversários mais organizados, mas também com um eleitorado mais crítico — e menos disposto a conceder crédito sem resultados claros.

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