Projeto prevê receita de R$ 8,94 bilhões para 2026, mas mudanças no orçamento provocaram embate entre vereadores e base do prefeito Sandro Mabel, que avalia contestar a votação
A Comissão Mista da Câmara Municipal de Goiânia aprovou, em reunião extraordinária nesta segunda-feira (29), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2026. O texto, que estima receita de R$ 8,94 bilhões, foi aprovado por 11 votos a 8, em meio a discussões acaloradas e resistência da base do prefeito Sandro Mabel (União Brasil).
O principal ponto de conflito foi o remanejamento orçamentário. Enquanto o Paço defendia a manutenção do percentual de 50%, o parecer do relator, vereador Lucas Vergílio (MDB), propôs um modelo escalonado, com índices menores: 10% para saúde e educação em despesas correntes e 5% para investimentos; para as demais áreas, 5% em despesas correntes e 2% para investimentos.
Os números ficaram abaixo dos 35% que a gestão Mabel aceitava negociar.
O líder do prefeito na Câmara, vereador Wellington Bessa (DC), defendeu a retirada da matéria da pauta, reforçado por outros parlamentares da base, como Anselmo Pereira (MDB), Heyler Leão (PP), Isaías Ribeiro (Republicanos) e Sargento Novandir (MDB). Segundo ele, o Executivo havia solicitado a devolução do projeto para ajustes. O clima ficou ainda mais tenso após a manifestação do vereador Sanches da Federal (PP), que votou contra a proposta:— “É importante deixar claro que perder no voto é republicano, porém, acho que aqui não é o caso. Não é um jogo de quem é mais esperto ou não para uma lei tão importante da nossa cidade. Voto contra, mas deixo claro que não é correto a forma em que estamos fazendo”, afirmou.
De acordo com a prefeitura, a votação não deveria ter ocorrido devido a um ofício enviado ao presidente da Câmara, Romário Policarpo (PRD), solicitando a retirada do texto. Além disso, o Paço alega ausência de quórum adequado e falta de divulgação prévia do parecer.
Já os membros do colegiado defendem que o pedido do Executivo chegou somente após a deliberação. A LDO aprovada prevê despesas de R$ 8,89 bilhões, sendo R$ 8,2 bilhões em despesas correntes e R$ 690 milhões em despesas de capital.
A arrecadação de impostos, taxas e contribuições deve representar R$ 3,9 bilhões da receita total.Apesar da aprovação na comissão, a gestão Mabel deve pedir a Policarpo que desconsidere a votação. O Executivo estuda até mesmo recorrer à Justiça para reverter o resultado.
Segundo avaliação do Paço, o limite de 50% no remanejamento é essencial para manter a viabilidade financeira da prefeitura ao longo do ano. Já parte dos vereadores argumenta que percentuais elevados reduzem a autonomia da Câmara no controle do orçamento da capital.
Fonte: OHOJE – Câmara Municipal de Goiânia Redação: Jornalista e Comentarista Político Weder Salgado
Fotos: Divulgação

















